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Operação Portugal – Mas afinal estamos perante uma crítica ou um elogio?

Operação Portugal é um filme francês estreado nos cinemas portugueses a 12 de Agosto deste ano, e desde então que tem gerado alvoroço social, uma vez que muitos apontam para o carácter pejorativo e estereotipado do emigrante português a viver e a trabalhar em França.

O filme é dirigido por Frank Cimiere, contando com a participação de atores conhecidos como D’Jal, Sarah Perles, Bruno Sanches e a atriz portuguesa Carmen dos Santos.

A comédia começa com Joaquim a conduzir o seu Renault 5, carregado de melões e enchidos, a ouvir “Baile de Verão” de José Malhoa. Ao chegar a França, Joaquim é preso, surgindo assim a oportunidade para Hakim, que com uns adornos extra, isto é, uma peruca e um bigode, facilmente consegue fazer-se passar pelo primo Joaquim, que em 3 dias entrava a trabalhar numa obra de construção civil da família. A Interpol não poderia deixar escapar a oportunidade, uma vez que necessitam urgentemente de apanhar um bando de traficantes de droga, que desconfiam ser a família de portugueses. A trama desenrola-se neste sentido, com HAKIM infiltrado na família portuguesa, a dar de tudo para melhor se integrar e enquadrar no típico da cultura portuguesa, e assim apanhar os capangas em flagrante de delito. Com a seu jeito mal amanhado, Hakim acaba por se envolver demasiado com Júlia (Sarah Perles), chefe da obra, e a sua família, o que irá interferir e modificar o rumo de toda a história.


Mas então, onde está o espaço para as críticas?

Ao longo de todo o filme, é notória a
investigação feita pelo realizador para melhor retratar a nossa cultura e em momento algum
as suas piadas possuem um carácter ofensivo ou estigmatizante. Pelo contrário, como
portugueses, deveríamos ter a plena consciência e orgulho de vários aspetos retratados no filme relativamente à nossa cultura.

A primeira refere-se ao facto de muitos portugueses se verem obrigados a emigrar para um país com uma língua totalmente desconhecida, longe de familiares e amigos, em busca de uma vida melhor, muitas vezes sujeitos a trabalhos que necessitam de muita mão de obra, como é o caso da construção civil. Assim sendo, não é um estereótipo que o português saia de Portugal pobre no seu Renault 5, é a verdade.

De seguida, outra das grandes críticas que pode ser apontada deve-se ao facto de o filme ir buscar características tão salientes da nossa cultura, que de certo prisma, até dá a entender um certo “gozo” mesquinho. Não fosse o filme uma comédia e cairíamos nesse erro.

Porém, a verdade é que somos conhecidos pelos nossos enchidos (salpicões, chouriços, alheiras), e não fosse o salpicão a salvar Hakim, não saberíamos onde o mesmo estaria agora.

Somos conhecidos pelo Fado de Marisa e Amália, pela música tradicional portuguesa de
José Malhoa e Ana Malhoa, pelo rancho folclórico e pelas suas roupas tão características. Somos conhecidos pelo nosso futebol, pelo nosso amor incondicional pela grande Ronaldo, o grande Figo. Somos conhecidos pela hospitalidade, por fazer sentir família todos os que são da nossa pátria, por acolher e aceitar o melhor das pessoas. Mais importante que tudo, e algo que este filme salienta: somos conhecidos.

A nossa cultura encontra – se espalhada pelos quatro cantos do mundo, é isto que somos,
quer nos revejamos ou não na caricatura de Frank Cimiere.

É claro que, quando falamos de cinema francês, esperamos à partida grandes tramas e produções audiovisuais, ainda assim, a comédia “Operação Portugal” cumpriu com o seu propósito: 01h20 de gargalhadas e boa disposição, com piadas bastante inteligentes e super bem pensadas.

Um filme simples, leve, e para além disso, um filme estrangeiro que retrata o que melhor temos em Portugal: o nosso futebol, os nossos azulejos, os nossos fadistas, os nossos enchidos, os nossos melões, o nosso Portugal.

by Inês Duarte

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